terça-feira, 9 de novembro de 2010

We all want to be young (but what kind of youth?)

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Antes de ler o resto do post, "ganhe" 10 minutos da sua vida assistindo o vídeo abaixo:

 

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

 

Eu achei o vídeo de muita qualidade, gostaria de adicionar algumas perspectivas sobre as informações e análises feitas na obra.

Ao contrário da geração dos anos 60, 70 e parte dos 80, a nossa não pensa em mudar o mundo, efetivamente. Já comentei em outro post a misantropia de parte dessa população, que se preocupa mais com animais e discursos vazios de ambientalismos do que com seres humanos propriamente ditos - e, como eu disse, não que lutar por isso seja ruim, mas a não integração com a luta por uma vida melhor é, no mínimo, abstenção. Talvez o vídeo mostre bem: os que têm de 18 a 24 anos chegaram a um patamar em que podem se acomodar, fechando os olhos para as mazelas do mundo. De fato, creio que isso seja um reflexo do ambiente no qual esses jovens de hoje viveram sua infância, ou seja, os anos 90: explosão de individualismo cultural, na carroagem histórica liderada pelo neoliberalismo, levou a uma descrença geral no outro.

Não podemos esquecer que o avanço da internet, em sua totalidade, é para poucos. Aposto que a grande maioria dos leitores deste meu blog, que possivelmente se identificaram com o vídeo (como eu), passam pelo menos 4 horas por dia na frente de uma tela de computador, enquanto a grande maioria não se encontra em tal situação de acesso a altas tecnologias ou independência econômica. Ou seja, o vídeo trata, especificamente, de uma juventude multi-cultural de classe média, e eu, sinceramente, não sei a que ponto isso pode ser expandido para outros setores desta e de outras sociedades e culturas no globo.

Realmente, a publicidade ajudou a "matar" nossos "grandes heróis" de overdose. Enquanto os heróis da década de 60 e 70 eram guerrilheiros, revolucionários, buscavam mudanças, os de hoje são vampiros que brilham no sol, bruxos, elfos, e é neles que nossa juventude se reflete: em heróis domados, domesticados, que não criam grande "arruaça" à ordem vigente. E é dessa maneira que os mais velhos nos influenciam: limitando nossos pontos de atuação.

Enfim, relacionada aos seus predecessores, a nossa juventude é reacionária e humanisticamente alienada. Existem muitos avanços no campo das liberdades pessoais que poderiam ser conquistados: a discussão sobre a questão do aborto, do casamento homossexual, do estado laico, desenvolver mais a tolerância multi-cultural (onde o filme já aponta conquistas), valorização da educação e da saúde públicas... Enfim, não é uma juventude de buscar a prática libertária, e sim de usufruir das vitórias das outras gerações e voltar-se para o próprio umbigo, de maneira EXTREMAMENTE instantânea, em contradição com as grandes conexões que a internet nos permite fazer.

domingo, 24 de outubro de 2010

Perto das eleições, evidências afloram.

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Vemos, no discurso marco-político brasileiro, a queda das ideologias. A defesa dos partidos como unidade de ideias coerentes, propostas para um bom governo interessado no bem comum, esvaziou-se para engrandecer o personalista palavreado apelativo pautado em denuncias e demagogias eleitoreiras.

A luta pela verdadeira transformação da realidade brasileira não tem lugar: o que se observa é cada vez mais uma tentativa conciliatória de práticas essencialmente contraditórias. É impossível haver Reforma Agrária se não houver expropriação. É impossível dar habitação para todos os cidadãos  se a atenção continuar centrada em aparências. É impossível dar bem-estar para a população se o Estado se nega a tomar conta das atividades dominadas pelo poder privado, onde o lucro cega a responsabilidade social - exemplo: setor de transportes.

O pragmatismo político leva a isso: valorização de algumas instituições que, ao melhor estilo maquiavélico, manterão as mesmas caras incapazes de atacar as causas no poder, lidando com efeitos para fins eleitoreiros. A ideologia tornou-se um martelo que bate forte sobre uma mesa plana: pode até fazer barulho, mas a cabeça dos pregos já estão batidas. Enquanto isso, as causas, intrinsicamente negativas (desigualdade, falta de educação, saúde e habitação) encontram novos efeitos, que mantém a dominação de antes.

Esta é a nossa aleijada democracia, onde poucos ainda cabrestam muitos e nossos representantes precisam esquivar de balões d'água e bolinhas de papel (ou pedir para que taquem mais). A "governabilidade" molda as ações e alianças de indivíduos que possivelmente têm o interesse de mudar algo. Infelizmente, mudam de maneira incrédula e superficial. O outro lado, dos que são claramente contra o povo, aplaude tais apoios, em seu íntimo político, mas apontam publicamente como corruptos, para parecer mais idônio, sempre pessoalmente, nunca ideologicamente (até porque, suas ideologias, se considerarmos alguma existência, não se sustentam com facilidade). Que suas consciências passem a pagar o preço, porque a população já paga há muito tempo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Algumas confissões que não faço questão de esconder

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Desde que eu entrei na faculdade de História, mudei muito. Em março de 2006, na calourada da minha turma, eu tinha acabado de sair da Crisma e já tinha críticas à Igreja como instituição. Entrava nas missas com a camisa do album Temple of Shadows do Angra. Escrevia poemas em decassílabos perfeitos e rimas pretensamente ricas falando sobre morte e amores, muito influenciado pelas minhas repetidas leituras de Álvares de Azevedo (não gostava de Augusto dos Anjos, o niilismo dele me dava nojo). Comecei a me afastar assim que o padre da Igreja foi bastante rude comigo, e eu nem sabia o motivo - hoje não o culpo tanto, eu até sabia que era sua característica. E isso me abriu a cabeça pra perceber: se o cara que deveria ser um representante da palavra de Deus na minha comunidade me tratava daquela maneira, como eu poderia confiar no que ele dizia? Não deveria ser palavras de amor e cuidado, além de cobranças e coerção?

Enfim, o tempo foi passando e acho que o ponto de maior afastamento da "Santa" Sé - e maior transformação em minha mentalidade - foi quando eu li Rousseau e, posteriormente, Sartre. Eu já possuia pensamentos utópicos (e não vejo o termo como pejorativo) sobre uma humanidade igualitária e feliz, e percebi que o existencialismo sartreano era um pensamento bastante coerente em si mesmo e, principalmente, em seu ateísmo. Então, desde a passagem do terceiro para o quarto período da faculdade - quando li O Existencialismo é um Humanismo, Entre Quatro Paredes e o começo da Crítica da Razão Dialética - eu comecei a me considerar ateu, sem ter maiores mágoas sobre isso. A Náusea, no final daquele ano, me abriu a mente para refletir sobre a miséria da existência, aliando-se as leituras prévias que eu tinha de Marx.

Dentro da faculdade, não quis entrar no Movimento Estudantil por alguns motivos. As pessoas que nele participavam pareciam mais preocupados em seguir a cartilha de algum partido do que atuar como uma instituição minimamente coerente. As vezes me pareciam se preocupar mais em defender um ideal do que lutar a favor das pessoas - não que seus ideais estivessem errados, mas suas intransigências teóricas me pareciam negar à priori qualquer tipo de diálogo com alguém que possuia críticas pontuais a todos aqueles partidos, como eu. Sendo assim, continuei com meu pensamento crítico da política, apoiava quando o Movimento pedia apoio (como em doações ou em diálogos em sala de aula), mas não quis fazer parte, pois imaginava que minha voz não seria ouvida lá dentro. Preferi concentrar meus esforços nos estudos.

Acho que muito do que me formou foram conversas com amigos e livros que li. Tenho pouca experiência na vida por ser jovem, e acho que tenho algum medo das pessoas desconsiderarem minhas opiniões por me acharem só um burguesinho da Barra da Tijuca (lugar que não gosto nem de morar e nem de seu conceito), que apesar de ter algum pensamento libertário, não compreende o que acontece no mundo de verdade. Talvez o meu maior argumento contra isso seja que eu reflita, critique e leia bastante (e mesmo assim, não acho o suficiente).

Reflita demais, talvez. Tenho um puta medo de ser incoerente, em algum ato, ou de ter alguma ação impensada que atinja a outro. Sei que não consigo pensar tudo da maneira que tenho convicção que é certa, mas a formação de nosso caráter e de nossas bases mentais é um processo, né? Nada nasce do nada. Tudo que somos, no momento, se faz, a partir de nossas escolhas, se desenvolvendo a longo prazo... Meu mestre do Karate, Sensei Marcos Cutrim, disse-me uma vez: "Bruno, você nunca deve se arrepender de nada. Mas tem que fazer tudo bem feito, para nunca ter de se arrepender". Se eu tenho algum lema da vida, é esse. Bato no peito e digo que possuo pouquíssimos arrependimentos, mas que todos os poucos que tenho torceram meus pulmões como panos enxarcados, cachoeirando lágrimas pelo meu rosto.

Emocionalmente, já tive momentos de extremo entreguismo emocional, seguido por um longo período de congelamento do miocárdio. Hoje, não vejo os dois como antítese: tenho uma tese de que pode-se ser calculista, refletindo sobre o que se faz e o que se toma, e amar ao mesmo tempo. Aliás, acho que esse deve ser o verdadeiro amor humano, aquele que inclui a emoção no todo que é amar, e não o que toma a emoção como o todo. Vejo que considerar amar só emoção é negar o outro lado. Amar é uma relação, não só entre emoções, mas entre pensamentos, comunicações, linguagens... cada relação amorosa é diferente em si, porque cada um é cada um! É respeito ao outro, antes de tudo. Desisti de procurar, como procurava antes de entrar na faculdade e em meus primeiros relacionamentos, um conceito universal para o amor. Um modelo. Talvez tenha sido a coisa mais importante que eu tenha mudado nesse meio-tempo.

Não crio nenhum mistério sobre mim, mas geralmente prefiro não me expor. Acho que produzir esse texto me fez refletir melhor sobre mim e sobre o que eu penso do mundo, pesar de ter tratado de um recorte tão pequeno do que um ser humano pode ser. Cogito nesse exato momento se devo publicá-lo ou não. Bem, vamos ver as repercussões como um teste de exposição. Acho que, no fim, vai servir pra eu ler esse texto daqui a alguns anos e ver no que mudei novamente :)

Beijos e abraços aos que tiveram saco de ler :)

domingo, 12 de setembro de 2010

PróximAmor

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Nas madrugadas de sonho materializado,
Imagens encontradas na cama desfeita:
Erotiza nossas mentes sua luz
Que brilha nos meus olhos radiante.

Em cada centímetro sinto-lhe inteira,
Toco sua pele que é doce e lisa.
Movendo-te de maneira imprecisa;
Caótico deitar por sobre seu leite-leito.

Em cada palavra tua proferida
Não ouço juras ou promessas vazias:
Afogo-me em sentimento transbordando alegrias
Em que cada tom que seus labios poetizam...
(poetizam, também, em gemidos).

Solto em sua nuca, odor de rosas
Presos para sempre na memória.
Seus cabelos, castanhos chocolates
Esvoaçantes cheiros me afrodiziam.

Que paradoxo é sentir-te a língua!
Desliza em mim como bola de chiclete.
Degusto o passeio em sua pele, que é doce
Misturada ao seu salgado suor
(que também é doce)

Tornou-se, então, o longe aproximado,
Perante as luzes de todos os meus sentidos.
Não imagino mais uma projeção, não:
Agora sei que amo-te
Na completude inteira
De cada momento
Nosso.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Opinião: Sobre o povo e “seu” Estado

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Algumas semanas atrás, estava eu e meus amigos estagiários do Colégio de Aplicação/UFRJ discutindo política, como geralmente fazemos quando não estamos corrigindo provas, assistindo aula ou lendo o magnífico jornal Meia-Hora. Eis que meu caro amigo Lucas Antunes, que diz ter uma posição política de centro (e não é umbandista e nem PMDBista), afirma uma parada que me deixou meio bolado: "a política só está assim porque o povo brasileiro é do jeito que é". Concordando com a afirmação de Lucas, minha outra companheira keynesiana Taís Brito repete as palavras da mãe: "Cada povo tem o governo que merece". Fui veementemente contra as duas inferências, levantando a bola: nós vivemos REALMENTE em um Estado Democrático?

Vou ser sincero e dizer que me assustei com tal posição vindo de exímios estudantes de História. Ué, com certeza eles sabem da herança política que o Brasil sofre desde os tempos de colonização. O que precisamos é relacioná-la a atual situação política brasileira. Não precisamos ir tão longe, visto que saímos a pouco de um golpe militar que continuamente levou a população a um afastamento da participação política (que tanto ocorria da década de 50 a meados da de 70). Alexis de Tocqueville diminuiu os efeitos a Revolução Francesa, falando que o resquício aristocrático do sistema feudal nunca deixaria a democracia surgir na França, e o lugar onde encontrou tal possibilidade foi nos recém-independentes (na época) Estados Unidos da América. Ele pode ter exagerado, mas que a história de um afastamento da população em relação ao poder leva a um empecilho sócio-político de uma efetiva atuação consciente dela sobre o Estado, ah, isso não deixa de ser verdade!

O povo brasileiro tem, sim, grande percepção política. Porém, sua percepção não é a mesma de uma classe média esclarecida (como a minha, a do Lucas ou da Taís). É só ter em vista suas necessidades específicas e o abandono pelas autoridades públicas, que só recorrem a elas para ser bucha de canhão ou massa de manobra para trampolim eleitoral. Aqui no Rio isso é claro, onde a ideologia da Casa Grande (ricaços de São Conrado) e Senzala (favela da Rocinha) se mantém de uma maneira, no mínimo, sinistra. O próprio sistema (“vai, Bruno, culpa o sistema!”) controla as variadas Senzalas do Brasil por meio de currais eleitorais, compra de votos, força da mídia (e essa talvez seja a mais importante) e promessas eleitoreiras populistas, mantendo as mesmas famílias no poder, na mais velha relação paternalista que tanto conhecemos.

Sem dúvida, também, não podemos nos esquecer que o Estado é uma luta por hegemonia (valeu, Gramsci!). Citá-lo como uma homogeneidade (apesar das ideias políticas estarem descarrilhando para um pragmatismo bem vergonhoso) é uma generalidade ainda muito forte. Ainda temos partidos que seguem, parcialmente, algum tipo de ideologia, mesmo que neo-liberais ou comunistas arcaicas. Mesmo assim, falar que todas as minorias e, principalmente, a maioria, tem sua representatividade lá no congresso é não observar o que rola de verdade, nesse mecanismo safado que tem coisas ótimas mas tem muitas coisas ruins.

Eu, como todo bom marxista, sigo acreditando que não há demo-cracia (sem alusão ao DEM, por favor!) se não houver igualdade social. Um pensamento um tanto quanto fora de moda, mas como não sou de subjulgar meus ideais para seguir tendências acadêmicas da crista da onda (perdoem-me os chartienianos!), não me preocupo. Afirmar que o governo é a cara de seu povo é afirmar que vivemos em uma democracia plena, onde as pessoas votam, em toda a sua autonomia político-social, em quem elas realmente acham melhores pro Brasil, é no mínimo esquecer de toda a história política que formou esse mosaico brasileiro. Em tempos que se mistura política, que desde o século III a.C. se relaciona com debate de ideias, com marketing pessoal, podemos falar em um governo efetivamente popular? Acho que não.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

DistantAmor

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Olho-te como quem contempla
o encanto de encantar-se com a estética
da distância, ponte que nos liga;
da presença, aperto que nos afaga.

Ouço-te como quem concentra-se
Nos cantos dos pássaros livres:
De peito aberto, por quilômetros
Voam melodiando para o infinito.

Beijo-te como quem deplora
o vazio que nos separa;
Esperando o torpor-toque
do gosto salgado de tua pele.

Sinto-te como quem sonha
Relógios derretidos de Dali;
Angustiante descompasso
Não te alcançando em tempo-espaço.

Choro-te como quem espera
olhar, ouvir, beijar, sentir
Choro, também, em êxtase
Pelo abraço de acreditar nesse momento.

Enfim,
Quero em ti nossa completude
E acolhimento;
Amo-te como aquele que ama:
Eu, a ti.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A metáfora da distância entre palavra, sentimento e o ser amado

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É possível fazer poesia sem metáforas? Porque chove, chove, chove, e eu só gostaria que você estivesse aqui. Meu sentimento e o clima devem possuir algum tipo de ligação, assim como sinto você como a lágrima que escorre pelo meu rosto e cai no mar do meu coração.

Olha a metáfora aí de novo. Mas há de ter alguma relação entre isso que sinto (turbilhões inexplicáveis) e que choro (por você não estar aqui) e que sorrio (só de pensar em você) com esse mar que recebe a chuva e se esconde na neblina. Bate nas pedras da minha existência para me fazer transformar essa distância em areia.

Em pó. Transformar em pó e sugar-te, em cada grão, como fonte de embriaguez. Mas ora, não representamos tudo por metáforas? Há outro jeito, se não fazer da poesia um grande teatro, uma grande máscara?

Não. Eu sinto esse desespero todo de tanto amar, sentir, chorar, sorrir... e não saber como expressar. Então, abraço a metáfora e seu jogo de iluminar obscurecendo, limitando meu peito em palavras para diminuir, um pouco, a angústia de não ter você aqui.

Esse vento gelado é, pra mim, a ponta dos seus cabelos me acariciando a face inchada pela distância, dando alguma esperança de romper as barreiras do coração, das palavras e do espaço.