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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Você

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Você é assim: superior e incomparável ao indiscritível brilhar de cada dia, que, como meu amor por você, o Sol ilumina de manhã e a Lua ilumina a noite. Você se envolve em desnecessárias preocupações e buscas de sentidos que acha que, quando encontrar, lhe acalmará a alma, mas não percebe que não vale a pena a caminhada.


Você sorri como um rio que contorna uma montanha por não conseguir passar por dentro dela, mas mesmo assim segue seu curso. Sorrisos raros em quantidade, e toda vez que os liberta de seu pulmão, uma vontade - que me degrada o ser - de retirá-lo de sua face e deixá-lo rindo só para mim, colado no teto do meu quarto, me domina por dentro.


Penso, sinto melhor, e vejo que seu sorriso nunca pode ser retirado do seu conjunto, pois é VOCÊ que o faz sorrir, e que me faz querer sorrir colado a ele. Separado, seria apenas mais um fragmento. Uma pétala de rosa longe de sua flor original.


E você é a rosa. "Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho e há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!", já diria um dos maiores. Todos temos espinhos, e você tem vários. Mas sua flor é tão volumosa e cheia de vida que seria no mínimo burrice não segurar com toda a força na haste, para lhe cheirar mais forte o perfume que me alegra a vida.


Então, sorria mais, pois saiba que lhe guardo entre as maiores riquezas que se encontram em minha essência e existência.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Anacronia

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Chama-se a isso, se bem me lembro, a irreversibilidade do tempo.
Jean-Paul Sartre (A Náusea)

Revirando sentimentos enquanto o sol se põe. Sentimentos que nunca senti, na verdade, e que vêm com memórias. Pensamentos utópicos e inúteis de "o que poderia ter sido?" a "foi como tinha de ser". Não. Não foi como tinha de ser. Talvez um erro meu, talvez uma insegurança dela, mas as coisas nem sempre são como tinham de ser. Elas simplesmente acontecem, e temos que lidar com as conseqüências.

Esse sentimento me deixa sem chão. É extremamente estranho sentir-se apaixonado por memórias de algo que não chegou a ser uma paixão em si. Isso só me faz pensar que as lembranças estão sempre relacionadas ao que pensamos e sentimos hoje. Mas é estranho também o sorriso dela estar tão bem pintado e colorido em minha mente, quase como um Monet. Os olhos expressivos também são importantes, fractando-se a cada sorriso.

Mas isso não é nada pragmático. Como assim, se apaixonar por uma memória? Por um sentimento anacrônico? Pior, um sentimento que pode ser também crônico. Sinto como se não pudesse mais viver sem ele, mas sei que provavelmente amanhã acordarei e nem lembrarei do que estou sentindo no momento.

Tudo que eu queria agora era voltar no tempo e reviver o que acontecera, talvez mais intensamente, com o que sinto agora. Não é propriamente um arrependimento, só uma maneira diferente de ver o que aconteceu. Sei, claro, que é impossível, e isso revira meu estômago e mente de uma maneira inexplicável e que nunca senti antes, desta maneira.

O que eu realmente sei é que eu gostaria que ela tivesse me amado. Gostaria que eu fosse a última imagem em sua mente antes de dormir e a primeira depois de acordar, naquela época. Hoje já não sei. Pensava que minha paz se encontrava em minha solitude, e nesse exato momento ela está abalada.

Agora o Sol já está posto e incontáveis estrelas se põem no céu. Com o Sol, se foi a anacronia? Não sei. Só vendo o sorriso dela, hoje, meus sentimentos se decedirão: sincronizar a paixão ou deixá-la na memória. Eis a questão.
domingo, 28 de setembro de 2008

Saudade

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Por ela sinto a saudade de toda a humanidade. Em minha mente, seu sorriso esplandece por noites incontáveis as quais a chuva substitui o sono e a inquietação substitui o desmaio diário.

Enquanto as gotas no telhado salpicam, voam, são guiadas pelo vento para os meus olhos, eu lembro dos dela e esmoeço. Toda grandeza é insignificante sem o aconchego de seu colo, no qual descansava minhas mais profundas alegrias e desesperos.

Já ouvi uma vez que a saudade é uma permissão concentida que damos a nós mesmos para sentir tristeza. Acrescento: essa pequena tristeza que sinto é o que me faz humano, é o que me aproxima do mundo e de mim mesmo. O pensamento flui como uma folha suave que cai de uma árvore e é levada pelo vento até repousar em um solo-cama fértil.

Eu sei que posso levantar, deixar de pensar nela, abrir um livro, tomar um conhaque. Não quero. Um sentimento de vazio de vez em quando nos faz bem: faz perceber que nem tudo está certo e nem tudo nos completa. Nos tira da inércia. Hoje é contemplação e amanhã pode ser ação ou até esquecimento, mas nunca se mantém só na observação da falta que ela me faz.

Essa falta me domina algumas noites. Em outras, tenho que viver. O melhor momento para refletir sobre a vida é no leito, pois penso tudo que errei e dou desculpas esfarrapadas para tais erros, que nem sempre são realmente erros, mas preciso de uma direção lógica para tudo que acontece comigo. O que é inútil. É muita pretenção tentar entender tudo. Principalmente a saudade...

Ah, essa saudade... pode acabar hoje, no momento em que eu cair no sono. Será que ela vai visitar meus sonhos? Ou será que amanhã estarei preocupado com outras coisas? Não importa. O momento é sublime, triste, belo e completo em si só. Mas eu não sou. Me falta algo. Me falta ela.
sábado, 26 de abril de 2008

Grito

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Subiu degrau por degrau para o terraço daquele prédio de quinze andares. A cada degrau, alternava entre inspiração e expiração. De fato, precisava estar inspirado para fazer o que queria fazer.

Chegou ao topo e olhou para o céu. Algumas núvens roxas pinceladas, mas as estrelas brilhavam como se estivessem milhões de anos luz mais próximos. Não, provavelmente era só aquele prédio a menos de distância mesmo. Mas elas o maravilhavam, e mesmo a lua tímida e minguante no canto de sua visão não prendeu sua atenção. Provavelmente se ele estivesse apaixonado prestaria mais atenção à Mulher da Noite Prateada que a cada mês brilha mais forte, mas não naquele dia.

Enquanto caminhava a passos curtos por aquele chão acima do nível do mar em direção ao abismo, observava as luzes lá embaixo. Daqui de cima parece tudo tão bonito. Pena que lá embaixo tudo é diferente. É sufocante, claustrofóbico, os brilhos que parecem tão belos na verdade me cegam. Não existe outro caminho.

Até que chegou à borda daquele mundo que pertencia naquele momento. Olhou em volta e nenhum som realmente chegava aos seus ouvidos, apenas ecos da vida lá embaixo, como memórias que atormentavam sua mente cansada. Realmente, aquilo parecia bonito, mas era o inferno para ele. Fechou os olhos e respirou fundo.

Ao abrir, olhou para cima e soltou o maior grito que poderia sair daquele corpo. O som ecoava nas estrelas enquanto, por sua boca aberta, seus pulmões de um azul celeste saiam. Ele foi se tornando luz no mesmo momento que de suas costas asas, brancas como sua alma, explodiam suas costas em busca de liberdade. Seu coração brilhava mais vermelho que nunca, e seu grito continuava entoando a mais bela canção libertadora para ele em toda a sua vida.

Antes do grito terminar realmente, ele apagou e desapareceu. Chegou ao extremo de ter de sumir para chegar à liberdade, visto que nem em um caixão se sentiria livre. Sua existência se foi, mas eu ainda ouço os ecos de sua voz a noite, que viaja pelas estrelas, me puxando para fazer o mesmo que ele um dia. Simplesmente gritar, sumir, e ser livre.
terça-feira, 4 de março de 2008

Auto-Ostracismo

Posted in by Bruno Marconi da Costa | Edit
Não parecia ser uma opção, e sim o único caminho. Por isso, teria de percorre-lo, árduo, em busca de sua própria inexistência - ou, talvez, de sua própria inessência.

Não sabia muito bem para onde ir, na verdade, não sabia nem onde estava. Sua mente o obrigava a fechar os olhos quando precisava ver, escurecer o que precisava ficar claro e enfraquecer onde precisava haver luta.

Abalado, foi-se fechando no ar de dentro dos pulmões, sem ligar para o que havia em volta. Ele precisava desse recolhimento, para que um tempo depois, seja um segundo ou um século, ele possa explodir para o mundo. Mas prender-se no seu próprio peito era algo muito difícil para um coração conturbado.

Mas aos poucos foi conseguindo se encontrar nessa auto-perseguição implacável. Não era como correr atrás do próprio rabo, e sim correr atrás de um espelho que caminha na sua frente na mesma velocidade que você.

Calou-se, pois queria encontrar, um dia, sua voz serenizada. Tapou os ouvidos pois queria ouvir, um dia, os mais doces sons da Terra. Fechou os olhos pois queria ver, um dia, no espelho uma imagem que lhe agradasse a todo momento que visse.

Até que, finalmente, sua vida parou. O mundo, não.